USP cria pista-teste feita com pavimento de concreto para uso em estradas

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo concluiu nesta terça-feira (26) a pavimentação de um trecho de pista com concreto, onde será testado, pela primeira vez no Brasil, esse tipo de pavimento rígido continuamente armado para uso em estradas, aeroportos e corredores de transporte público. O trabalho está sendo realizado pelo Departamento de Engenharia de Transportes da Poli-USP e conta com a parceria de um pool de empresas liderado pela Votorantim.

O teste consiste na construção de uma "estrada-teste" na Cidade Universitária, ao lado da raia olímpica da USP, com uma extensão total de 200 metros. A obra será agora objeto de análise científica ao longo de um período de cinco anos, passando por diferentes tipos de avaliações.

Segundo o chefe do departamento de Engenharia de Transportes da Poli-USP, professor José Tadeu Balbo, responsável pelo estudo, o modelo em questão tem uma durabilidade e resistência muito maior que o asfalto. "Devido à resistência do concreto, este padrão de pavimento praticamente dispensa gastos de manutenção da estrada por um período muito mais longo que os pavimentos em asfalto", afirma o prof. Balbo.

Ainda segundo o professor, o pavimento é inspirado em experiências de construção das interstate highways americanas, modelo que contribuiu para o desenvolvimento da indústria de base dos EUA e para a ampliação da capacidade competitiva da economia americana, principalmente a partir do pós-guerra (década de 1950).

"Questões como acesso à tecnologia, transferência de conhecimentos acadêmicos e custos de construção sempre limitaram a importação e aplicação deste modelo de rodovias no Brasil", diz o prof. Balbo. A parceria da universidade com a iniciativa privada viabilizou esse teste inédito no Brasil. Segundo o gerente geral de Relações Governamentais da Votorantim, Lucélio de Moraes, a construção da "estrada-teste" da USP traduz as sinergias do modelo de atuação da companhia em prol do desenvolvimento da indústria brasileira. "A Votorantim apoiou o projeto por meio do fornecimento do cimento e do concreto, dos vergalhões de aço, e do zinco, que foi aplicado como uma camada de proteção dos vergalhões contra a corrosão, processo chamado de galvanização", explicou Moraes.   

A pesquisa prevê a avaliação da pista-teste de rodagem inicialmente num período entre seis meses a 1 ano, incluindo o tráfego de ônibus de linha que circulam pela Cidade Universitária, o que deve ser iniciado em cerca de um mês. Durante os testes, será observado o padrão das fissuras geradas pela rodovia nas condições de clima e frequência de uso característicos do local.

Por fim, ao longo de cinco anos, os pesquisadores da universidade irão verificar os níveis de oxidação do aço que dá armação à base do pavimento. Nos 200 metros de pista-teste, metade do aço foi galvanizada e a outra metade não teve o mesmo tratamento – com o objetivo de comprovar cientificamente a resistência à corrosão de cada um deles ao longo do tempo.

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